
Quando o Tricampeão Nacional contratou o alter-ego de Bruce Banner para jogar à bola, muitos pensaram tratar-se de mais uma investida inovadora e brilhante de Jorge Nuno, sempre arguto nas suas contratações menos ortodoxas (ver Cavaleiros do Apocalipse), que acabam por redundar em activos vendidos a uma equipa estrangeira por dezenas de milhões de euros (não ver Cavaleiros do Apocalipse).
Em pouco tempo, pensámos nós, todos os clubes de renome iriam seguir as pegadas azuis por aquela estrada de resíduos radioactivos abaixo.
Mas eis que o telefone toca. É Hans Vimmo Eskilsson, directamente de um torneio de poker que acabou de perder por ser alto, loiro e tosco. Isto, apesar de já não ser loiro. Mas continua a ser alto e tosco.
Hans parece transtornado. E não é pela palavra "bluff" se adequar mais à sua carreira de futeboleiro do que à de gajo que bota a bisca na mesa. O Deus nórdico faz questão de relembrar aos media portugueses que o Incrível Hulk não é o primeiro super-herói a jogar no campeonato local( apesar de ser o primeiro mamífero a trocar a 2ª Liga Japonesa por um clube de renome com uma soma avultada de cash de permeio).
Num assomo de modéstia e altruísmo, o homem-bluff revela o nome do benfeitor: ele próprio. Thor.
Porém, numa saudável anarquia similar a um fórum da Sport Tv com a participação extemporânea de um presidente com gigantismo auricular, chega outra opinião. Sorridente, mas ligeiramente descontrolada numa fúria disfarçada:
- "Cara, cê é burro mêmo. O primeiro só pode ser eu."
Anos a fio arrasando médios e alas direitos a torto e a direito, com um sorriso nos lábios e manha na chuteira, ninguém viu outro herói daquela maneira.
Eia, rimou.
Por falar em rimas...
"Vais partir/naquela estrada/onde um dia chegaste a sorrir". Ecoam as doces palavras cantaroladas pelo sempre cheiroso baladeiro Clemente.
Ok, afinal não rimou. Mas o importante aqui é apreciarmos a irónica subtileza desta deliciosa melodia, que subtilmente nos diz que não podemos ser felizes por duas vezes no mesmo local.
No caso do nosso Kal-El bronzeado, esse local é uma baliza. Um jogo? Pfff. Chega. Back to Zimbabwe. Or Congo. Whatever. Baza.
Ah, a América.
América do Norte.
Não, isso não: Estados Unidos da América.
Assim está melhor, afinal queremos deixar o Canadá de fora, não nos vá dar vontade de falar de Fernando Aguiar ou do Torneio Skydome. Isso nunca.
Num País arrasado pela violência, ausência de valores morais e filmes com a Sandra Bullock, procura-se um herói. Eis que surge, por entre uma névoa que grita esperança aos quatro ventos, o salvador de uma Pátria destroçada:
Zach Thornton, o Capitão América.
- "What now?Save the US of A? Hell, no. There are people overseas, who need my immediate help. Their suffering is unbearable."
Doze horas depois, chegou ao Benfica.
Mas esta debandada do seu herói preferido não deixou destroçado o País de Freddy "Nii Lamptey v2.0" Adu.
Nada disso. Clamavam por um paladino da liberdade ainda mais viril. Mais barbudo, Mais impiedoso. Mais versado na arte de detectar quedas de avião pelo sabor do solo com 15 anos de retroactividade.
Walker é o seu nome, e a dor é a sua profissão.
Porém, deixou prontamente o seu nativo Texas para a Madeira sob a premissa:
- "I got bigger fish to fry."
...beware, AJJ.
Terminamos com a recordação do último Super-Herói a jogar na nossa Liga, com O Coisa, Fernando Aguiar.
Aliás, como se trata deste atleta, podem riscar a palavra "jogar" da frase anterior, e substituí-la com outro verbo qualquer. Qual? Não sei, nem tenho paciência para tanto. A sério. Deixem-me em paz. Desde que o significado seja de certa forma inverso, quero lá saber. Ninguém me paga para fazer isto.
P.S.: O Homem Invisível foi omitido desta lista por não haver imagens do dito cujo. As razões são óbvias. Primeiro, ele é invisível. Segundo, ninguém se lembra de ver o Farnerud fazer nada. Há relatos de que uma vez em 1998, o sueco terá feito a cama em sua casa. Mas não estava lá ninguém para ver.






